sábado, 28 de janeiro de 2012

Dias de angústias renovadas [1]

Na ignorância do fato

Saiu. Cumpriu sua função de trabalhador:
lavrou números na imensidão sem fim
de um balanço incultivado.

Saiu de novo, rumo ao mercado.
E parou na rua, no horário de mais calor
para ficar conversando fiado.

Parou para colocar a conversa em dia,
em tom amigo e despreocupado.
As compras? Não as faria até que tivesse terminado.

Mas longe, e desde cedo, o destino rolava os dados
de um pesadelo apenas (mas longamente) pressentido:
uma senhora idosa se debate, em estranha agonia.

O neto poeta, trabalhador distraído,
imaturo e desesperançado, curtia,
à sua maneira, um sábado de sol.

Tentava uma vida banal,
enquanto membro importante da família,
dava entrada no hospital.

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