quarta-feira, 17 de junho de 2009

A Índia simplificada

Confesso que tem me incomodado um pouco a trama global das 21 horas. Não, eu não assisto (des)"Caminho das Índias", até porque nesse horário estou na sala de aula tentando me habilitar em Letras.

No entanto, não estou imune a ouvir os constantes comentários (vazios) das pessoas na rua, no ônibus e mesmo no meu local de trabalho. O que irrita é que a novela de Glória Perez pouco ou nada traz de novo (e, pior, de verdadeiro) para quem conhece minimamente a cultura hindu.

A Índia NÃO se resume a uma sucessão de danças e macaqueamentos que visam somente promover uma meia dúzia de escolas de dança no eixo Rio-São Paulo. Tampouco se resume a duas castas que passam a vida a digladiar entre si. Mas, como exigir das pessoas, do público médio (para não dizer medíocre), algum grau de consciência crítica?!

terça-feira, 16 de junho de 2009

O léxico dos "letreiros" II

Ontem apresentaram na aula de Literatura Brasileira uma pequena versão do dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, ao interromper variadas vezes (contei pelo menos quinze...) a análise do "romance" Navio Negreiro para explicar à turma o que é cantilena, langor, dolente e, pasmem, chacal.

Algumas pessoas não sabiam que este é um mamífero conhecido por comer carniça. Eu acho que isso se deve ao fato de que "narciso acha feio o que não é espelho", ainda que nesse caso tenha muito chacal se fazendo de desentendido...

Crédito da imagem: http://www.seucachorro.com/chacal/

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Em que a fala impede a ação?!

Recebi hoje pela manhã uma indireta no grupo de discussões que a turma de faculdade mantém no site do Yahoo. Acusavam-me de falar demais e, com isso, impedir a ação das pessoas que estão realmente interessadas em resolver um impasse criado em torno da distribuição de livros arrecadados no trote solidário do ano passado.

Eu poderia ter feito vista grossa e fingir que a indireta era para outra pessoa qualquer. O problema é que eu nunca tive vocação para capacho e dificilmente levo desaforo para casa. Principalmente se o desaforo não tem razão de ser, como é o caso.

Sejamos honestos: a fala de uma única pessoa pode ser tão forte ao ponto imobilizar as demais? Detalhe: não se trata de uma fala proibitiva. Não. Trata-se de uma fala irônica que tem como princípio provocar alguma reação.

Agora, se por reação as pessoas entendem encolher-se dentro da concha, anular-se, inibir-se, ... se o entendimento é esse, então concordo que a fala impede a ação. Do contrário, o que falta aos colegas é força de vontade e animAção.

sábado, 6 de junho de 2009

Que livro você é?!

Febre na internet, o teste contido neste link http://educarparacrescer.abril.uol.com.br/leitura/testes/livro-nacional.shtml informa às pessoas quais livros de Literatura Brasileira elas seriam.

Pelo que pude apurar no orkut, a maioria das pessoas está para ser livros de Paulo Coelho, Martha Medeiros e Roberto Shinyashiki... Nada contra os autores, mas é uma pena ver que a população se pauta apenas pelos critérios médios e acaba por responder ao teste de maneira sempre igual e a obter sempre o mesmo resultado.

Mas o que me assustou de verdade foi ver pessoas que declaradamente detestam a literatura nacional se gabarem do resultado apontar clássicos como "Memórias Póstumas de Brás Cubas" e "A paixão segundo GH". Essa distinção é preocupante porque reforça um preconceito, mesmo por parte de quem é alheio ao tema.

Créditos da imagem: Capa da 1ª edição do romance "A paixão segundo GH". Fonte aqui: http://www.estantevirtual.com.br/.