quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Do fundo do baú: "Palavras presas na garganta" - conto

Palavras presas na garganta

Escrever nem sempre é fácil, mas às vezes obtemos matéria para algumas linhas através de um olhar sobre a vida alheia. Baseio-me, agora, nos desencontros em que vejo um casal de amigos.
Andam de mãos dadas algumas vezes. Mas é apenas amizade. Um carinho ousado a mais seria um risco que nenhum dos dois quer correr. “E se ele não me olha nunca mais?” “E se ela achar que eu sou um tarado que nem os outros caras que ela já ficou?” “Mas...”

As mãos se desenlaçam e um abraço de despedida se faz presente, embora com eternas promessas de novos passeios.

Os beijos no rosto são torturados. “Se fosse na boca seria melhor”, pensam juntos. Mas seus olhares nem se cruzam, para evitar que tais pensamentos se comuniquem. De novo o medo de pôr tudo a perder... “Não estou confundindo as coisas?” - outro pensamento conjunto.

Em casa, ficam pensando naquela pessoa amada com uma dor, com uma culpa por não ter falado nada. “Deixei escapar a chance de novo.”, pensam juntos mais uma vez. E dormem embalados por uma auto-enganosa promessa de mudar tudo na próxima vez.

Passam os dias. O telefone toca. Ela atende.

- Olá, amiga, tudo bom? Estou ligando porque preciso te dizer algo importantíssimo, que tem que ser dito hoje de qualquer maneira senão eu morro!!!
- Ai, agora quem morre sou eu, de curiosidade. Diga logo, de que se trata?

Os corações de ambos batem descompassados. Mas vem um tal nó na garganta do nosso herói, um tal frio na barriga que o silêncio se torna incômodo. A moça arrisca:

- Você ainda está aí?
- Sim... Desculpa, é que meu pai tava me chamando. Sabe o que é, é que tem uma peça ótima em cartaz no teatro e eu acho que a galera tem de ir. Liguei para te convidar.
- Só isso?
- Sim, por quê?

Ele pensa, por um minuto que virá, da parte da amiga a confissão de um amor que lhe tire a obrigação de ser o primeiro a falar. Ela simplesmente estronda uma gargalhada:

- Você é muito bobo... faz drama com tudo. Por isso que te digo que devia ser ator e por isso gosto da sua amizade; você está sempre me fazendo rir. Bom eu vou ver se dá pra ir e te falo. Tchau.
- Tchau.

O telefone é colocado no gancho com uma raiva contida.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Os deslocados

Foi num relance. Quando dei por mim já havia entrado no bar junto de meu pai e, mais, já haviam pousado dois copos sobre a mesa. Entre um e outro, uma garrafa de cerveja. Olhei em torno para certificar-me de que um deles era mesmo meu e, constatando-o, tratei de protestar. Em vão. Empurrei em goles amargos a bebida amarela.

Do outro lado do balcão, como atendente, o filho do dono do botequim. Sozinho na tarde quente daquele domingo, o rapaz sorria, também com um tom amarelo, aos gracejos que temperavam a conversa dos clientes e habitués do recinto.

Olho bem para nosso mal-estar, matizado de amarelo. Olho para meu pai, presente, e penso no pai do balconista, ausente por algumas horas. Ou alguns minutos, não importa. Olho para a fumaça de cigarros que nos sufoca e, de repente, do fundo da memória uma voz me sopra: os deslocados.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Cumplir años... 2010 - 2011

Há um ano atrás, espantado, eu sentia frio à luz do meio dia.
E, deslumbrado, eu andava por ruas nunca dantes atravessadas...

Há um ano atrás eu tomava "unos mates", ou comia "un asado"
com outra gente, com meus amigos de Villa María.

Há um ano atrás, surpreendido, passei meu aniversário
com outra gente, com meus amigos de Villa María,
comendo pizzas numa noite animada.

Há fotos que o provam (e uma saudade danada).






Nesta nova primavera, na minha não tão nova Juiz de Fora
não há espanto, nem deslumbre,
pois conheço todas as ruas, todas as caras...

Mas também houve reuniões animadas:
almoço em casa com a família,
pizzas com os amigos "de longa data".

Meus amigos de Villa María,
longe daqui por coisas da Geografia,
estes me cumprimentaram pela rede.

Há fotos que o provam,
e também os recados no "face".
Apesar de tudo, há sempre a saudade - que permanece.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Sobre estes textos - Sobre estos textos - About these texts

Como diz Eduardo Galeano em O livro dos abraços: "As coisas costumam suceder no momento em que as contamos." Por isso, mesmo tendo voltado ao Brasil, seguirei atualizando este blog com relatos da minha viagem à Argentina. Ao contar sobre a viagem, de alguma maneira, a estarei vivendo outra vez e quem ler meus relatos também.

Como dice Eduardo Galeano en El libro de los abrazos: "Las cosas suelen suceder en el momento en el que las contamos." Por eso, aún después de haber vuelto a Brasil, seguiré actualizando este blog con relatos de mi viaje a Argentina. Al contar sobre mi viaje, de alguna manera, lo estaré viviendo otra vez y así quienes lean mis relatos también.

As Eduardo Galeano said in The book of embraces: "Things usually happen in the moment they are told." Therefore, even after having returned to Brasil, I will continue updating this blog with reports of my trip to Argentina. While telling about my trip, somehow, I will be making it again, and so will do those who read my stories too.